sábado, 26 setembro 2026

Mortandade de peixes é registrada na Lagoa do Meio, na Praia do Rosa em Imbituba

Caso ocorreu no domingo (8) na Praia do Rosa; ICMBio coletou água e aguarda laudo técnico da UFSC para identificar causas e impactos ambientais.
Foto: Divulgação/ICMBio

A mortandade de peixes registrada na Lagoa do Meio, localizada na Praia do Rosa, em Imbituba, no domingo (8), segue sendo investigada por órgãos ambientais. O caso ganhou repercussão após a circulação de vídeos nas redes sociais, o que levou ao acionamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Prefeitura de Imbituba.

Na segunda-feira (9), a equipe da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (APABF/ICMBio) realizou a coleta de água na lagoa. As amostras foram encaminhadas ao Departamento de Química da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde passarão por análises. O laudo técnico, segundo o órgão, deve ser concluído em aproximadamente quinze dias e deverá apontar as causas e os impactos associados à ocorrência.

“Vamos aguardar o laudo para confirmar o caso. A APABF/ICMBio recomenda que as pessoas não entrem na água da Lagoa do Meio, nem toquem em algum eventual peixe morto, por risco de contaminação, até que a gente tenha a confirmação do laudo”, reforça Stephano Ridolfi, analista ambiental chefe da unidade.

Paralelamente, técnicos da Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca de Imbituba realizaram, em conjunto com a Vigilância Sanitária Municipal, uma vistoria técnica na lagoa também na segunda-feira (9). A ação teve como objetivo investigar o evento e esclarecer as possíveis causas da mortandade.

Durante a vistoria, foram coletadas amostras biológicas dos peixes para encaminhamento à Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC). No entanto, devido a problemas relacionados ao armazenamento do material, como a intensa liberação de odor, não foi possível manter as amostras, sendo necessário o descarte.

Com base na avaliação preliminar realizada em campo, a Secretaria aponta que a causa provável da mortandade está associada à proliferação acentuada de algas na lagoa. Esse fenômeno pode provocar alterações nas condições físico-químicas da água, como redução do oxigênio dissolvido, mudanças no pH e aumento da turbidez, afetando diretamente a vida aquática.

Segundo a Prefeitura, a proliferação de algas pode estar relacionada ao aporte excessivo de nutrientes no corpo hídrico, possivelmente decorrente do lançamento de efluentes domésticos sem tratamento adequado. A situação também pode ter sido agravada por condições climáticas recentes, com o registro de temperaturas elevadas por vários dias consecutivos.

Diante da impossibilidade de análises laboratoriais das amostras biológicas, a Secretaria de Meio Ambiente recomendou a adoção de medidas complementares. Entre elas estão a coleta de amostras de água para análises físico-químicas e microbiológicas, o monitoramento contínuo da qualidade da água — incluindo parâmetros como oxigênio dissolvido, temperatura, pH, condutividade e nutrientes — e a intensificação da fiscalização sanitária para identificar possíveis lançamentos irregulares de esgoto ou outras fontes de poluição na bacia da lagoa.

O professor da UFSC, Paulo Horta, explica que episódios como esse podem estar associados a baixos níveis de oxigênio, floração de algas nocivas, poluição por esgoto doméstico ou escoamento de resíduos, além de alterações de temperatura e mudanças abruptas nas condições ambientais.

A Secretaria de Meio Ambiente informa que segue acompanhando a situação e que está buscando meios para a retirada dos peixes mortos da lagoa. O órgão também reforça a importância da colaboração da comunidade na preservação dos recursos hídricos e na denúncia de práticas irregulares que possam causar danos ambientais.

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